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Atravessando os EUA de carro. Parte 2

Na manhã seguinte lá estava eu, num hospital nos subúrbios de Dallas, para tratar das minhas amígdalas que não paravam de inchar e de doer. Fiquei umas três horas no hospital, para ser atendido pelo médico em si por no máximo três minutos e sair do hospital com um “queixo caído”, uma receita médica e uma conta no valor de novecentos dólares. Para se ter uma idéia esse era o valor médio que eu esperava que toda a viagem custaria com gasolina, hospedagem e alimentação. Mas imprevistos acontecem e nos conformar quando acontecem é o máximo que podemos fazer. Por conta da garganta passei boa parte da viagem dormindo enquanto meu irmão dirigia nas planícies desertas do Texas e do Novo México. Chegamos no nosso destino em Albuquerque onde fomos convidado por alguém do couchsurfing a nos hospedarmos na sua casa. Funciona assim: Eu deixo meu itinerário público na comunidade dos viajantes do couchsurfing e para cada parada, eu poderia deixar um pedido público de um lugar para dormir, sem ter que pedir pra alguém específico. Dessa forma recebemos uma meia dúzia de convites. Pelo perfil da pessoa se pode ter uma ideia geral da personalidade e dos gostos da pessoa com que você vai ficar. Se a descrição da pessoa não te agradar a gente simplesmente agradece e recusa o convite. Marc foi um dos que nos convidou e quando se viaja assim o que a gente tem que esperar é no máximo um sofá, mas a casa de Marc era muito grande e acabou que eu tive um quarto só pra mim e meu irmão um outro só pra ele. Em se tratando de couchsurfing, um “luxo” só! Infelizmente não tivemos muito tempo para conhecer nosso “host”, mas ele deixou boas dicas de como melhor aproveitar nossa manhã seguinte.

Após trocar o óleo e filtro do carro, rotacionar os pneus e dar uma geral básica, seguimos para a base do Sandia Tram, que é o teleférico mais longo do mundo, como diz na internet, nas propagandas, no ticket para pegar o teleférico. Mas antes mesmo de subir eu desconfiei, se era o mesmo o mais longo. A subida em si impressiona. Vai do nível da cidade de Albuquerque (aproximadamente 2 mil metros) à 3163m. Para se ter uma ideia, mais alto que o pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil. O relevo impressiona com os granitos gigantescos pelados e pontudos. Durante a subida o operador vai contando os fatos impressionantes (como o custo absurdo de apenas trocar os cabos de aço ou sobre o avião da TMA que décadas atrás colidiu com a montanha). O operador tem que ser um verdadeiro artista. Fico imaginando como uma pessoa pode contar as mesmas piadas e fatos tantas vezes ao dia e ainda parecer que esta contando pela primeira vez. É de tirar o chapéu! Com um visual daquele eu pensei que seria desnecessário um animador de atração. Pra muita gente entretanto, ficar comprimido em pé, numa “lata de sardinha”, pendurado por um cabo em um despenhadeiro por 15 minutos pode passar longe de uma experiência agradável e eu podia ver isso nos olhos de algumas pessoas. Dava vontade de falar: “Relaxa e aproveita o visual. Não tem nada que você pode fazer agora” e era exatamente isso que operador tentava fazer, mas com outras palavras, distraindo, tentando convencer que os dólares gastos valeram a pena. Afinal, como eles sabem bem promover, é o teleférico mais longo do mundo. Mas, será mesmo? Não. Eu mesmo já estive em teleféricos nos alpes da Suíça e da Áustria que deveriam ser ainda mais longos apesar de não parecerem tão altos. Eu tento imaginar qual seria a reação dos americanos ao saberem que temos um teleférico lá na América Latina mesmo, em Mérida na Venezuela que vai de 1640 metros a 4765 metros. Ou que existe outro na China que alcança incríveis 7455 metros (com a base em 1279 metros). Todo lugar que eu vou, não somente nos EUA, mas principalmente nesse país, eu vejo todo o tempo: O mais isso, o maior aquilo do mundo e me impressiona que não deixam de mentir mesmo nos dias de hoje onde a informação e a verdade está na palma da mão de tanta gente. Quando é óbvio que eles não podem promover algum lugar com fatos eles apelam pra subjetividade: Como a praia mais bela do mundo. E cá pra nós, podemos facilmente promover o bondinho do Pão de Acúcar nos seus humildes 1300 metros como o mais belo do mundo, não? (Ou pelo menos o mais doce.)
Quando aterrizamos no topo da montanha, a sensação é de que havíamos sido tele-transportados, para longe, bem longe do centro urbano de Albuquerque ou das planícies áridas que envolvem a cidade. Lá em cima, havia muito mais vida natural e as árvores da floresta nacional de Cibola pareciam crescer até no meio das rochas. A diferença de temperatura era drástica e o vento frio soprava as nuvens na nossa altitude nos impedindo muitas vezes de enxergar a planície lá embaixo e nos dando a verdadeira sensação de estarmos no topo do “mundo”. Tão alto e ainda assim, no meio da trilha por onde andávamos,a prova de que à muitos anos atras até aquela montanha já esteve embaixo de água. Uma placa sinalizava na rocha a marca de um fóssil marítimo! Não, não tentavam vender a ideia de que era o fóssil mais antigo do mundo! Ainda bem! Isolada pela floresta e pela altitude, numa esquina do precipício da montanha, uma casa de pedras chamava a atenção. Realmente parecia ser uma continuação da própria montanha rochosa e foi construída ali com essa intenção.
Fóssil marítimo

Era hora de descer, seguir viagem e conhecer os outros “mais e maiores” dos EUA. Dali pra frente teríamos imensos desertos para atravessar mas o visual valeria a pena afinal no dia seguinte chegaríamos no Grand Canyon! Outras fotos aqui!

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2 Comentários à Atravessando os EUA de carro. Parte 2

  1. SOLANGE 27/01/2014 at 22:13 #

    Muito bacana seu blog!!!! Parabéns mesmo!! Dá vontade de viajar…….com você!!

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