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Nadando com as estrelas

De pés descalços, short curto vermelho e uma camiseta regata cansada de ser esticada, ela estende a mão e enquanto analiso se: Devo falar “hola” ou “hi”,  se devo ter dado um abraço ou não (sério, sempre fico na dúvida!), ela já se apresentou com uma alegria estampada no sorriso, já disse como foi o dia de trabalho e já está planejando onde comprar sua dose de tequila e não sei o que mais para mantê-la acordada nas próximas horas. Quando enfim consigo responder alguma coisa, ela já está na outra esquina cumprimentando um outro amigo.

biobay

A primeira vez que vi uma bio-bay, no filme: “A vida de Pi”

Já passa da meia noite quando a encontramos na pequena vila Esperanza em Vieques, uma tranquila ilha porto-riquenha no Caribe, suficientemente grande para ter ruas asfaltadas mas pequena para não precisar de semáforos. Aqui estou tomando conta de uma casa pelo trustedhousesitters. O tráfego mais provável que você vai enfrentar por aqui é por conta dos cavalos “selvagens”que andam a soltos espalhados pela ilha. Michelle é amiga de Alex, nosso novo amigo que conhecemos alguns dias atrás e que nos convidou para conhecer a Bio-Bay, a baía bio-luminescente mais brilhante do mundo, segundo o guines-book! O que isso significa? Bem eu estava prestes a descobrir.

Entramos no carro do Alex e fomos pelas ruas escuras procurar um pequena entrada no mato para uma estradinha de terra. Os grilos faziam em um uníssono, junto com os sapos, a trilha sonora daquela noite estrelada. Quando chegamos no fim daquela estradinha, saímos do carro, deixamos a vista acostumar com a escuridão e na beirada da mata vemos dois caiques duplos nos esperando para a aventura.

Michele não parece perder tempo, com toda sua energia ela já está puxando os caiaques para o breu de um mangue quando ainda estou tirando a camisa, os chinelos, e deixando tudo no carro. Sem poder enxergar muito, pisamos descalços pela lama do mangue e acho difícil não pensar nos caranguejos a espreita aguardando para fechar suas garras levantadas para cima em um dedão branco e macio.

Com a água nos joelhos, entramos nos caiaques. Começamos a remar contra o vento em direção a uma clareira na mata que da para a baía de Puerto Mosquito ou simplesmente, Bio-bay. A experiência de estar naquele lugar aquela hora, e com aquele temperatura agradabilíssima e em boa companhia já era uma experiência que valeria por si, mas o que veríamos dali para frente realmente é algo para não esquecer nunca.

No breu da noite, as estrelas e a tímida lua no horizonte faziam seus reflexos na água escura. Logo percebemos outros brilhos. Uma explosão de luzes verde-azuladas começam a brotar das pontas dos remos toda vez que entram em contato com a água. A base dos caiques ganham um brilho e fazem seu rastro de luz nas águas caribenhas.

O brilho se intensifica quando vamos nos aproximando do centro da baía. Quando ponho a mão naquelas águas mornas (a 30 graus celsius!) vejo a mágica saindo da minha própria pela. Pequenas estrelas cadentes parecem escorrer pelo meu braço quando levanto a água com a mão. Sinto como se eu estivesse alcançando as estrelas no céu e pudesse brincar com elas.

A magia psicodélica continua e logo vemos fachos de luz correndo de um lado para outro embaixo dos caiques. São os peixes, diz Michele. A vontade é de cair logo na água mas todo mundo sabe aqui em Vieques que não se deve nadar por ali. Michele nos conta o por que. Até alguns anos atrás muita gente nadava, até que uma menina foi atacada por um tubarão. Qual a chance, eu me pergunto?

De cima de seu caique Michele fica de olho aberto procurando qualquer luz de tamanho mais avantajado enquanto entramos na água e vemos nossos corpos se iluminando. De olhos abertos embaixo da água vejo meus braços e pernas cintilando ! Como se minha própria pele tivesse luz própria.

É uma experiência que instiga, que desafia nossas perspectivas, que nos faz reverenciarmos a natureza nos mostrando como somos pequenos. Que ironia! Organismos unicelulares nos ensinando como somos insignificantes?

Acabamos repetindo a experiência quando um amigo nos visitou algumas semanas depois e dessa vez contratamos um guia que nos ensinou como a mágica acontece.

Cada luz é emitida por pequenos plânctons de uma célula só chamados dinoflagelados bioluminescentes. Apesar de não serem visíveis a olho nu, emitem uma luz 100 vezes maiores que o próprio tamanho!

Baías bioluminescentes são extremamente raras, são geralmente ecossistemas frágeis e aqui na ilha de Vieques, as condições são ideias para quem quer ter essa experiência.

No meio da explicação, de repente ele aponta para baixo do meu caique e diz: Um tubarão! E ele não estava brincando! Meu amigo que estava no caique com o guia também viu a luz de mais de um metro de comprimento passando por baixo de mim. Dessa vez decidimos não entrar na água, mesmo sabendo que provavelmente era um tubarão-lixa (nurse shark) do tipo que não liga muito para a carne humana.

Como fazer o tour na bio-bay mais brilhante do mundo:

A bio-bay de Puerto Mosquito fica em Vieques, uma pequena ilha de Porto Rico. Da capital San Juan há voos curtos diários (U$100-U$150) ou se preferir há a opção de pagar apenas U$2 para chegar de balsa desde a parte leste da ilha principal de Porto Rico (Fajardo, 1h30m). Em Esperança, no sul da ilha você verá telefones de guias para o bio-bay espalhados pela vila, ligue para um deles e marque sua visita. O custo sai em torno de U$30 a U$50 por pessoa e dura cerca de 1h30, 2h.

Esse é o tipo de experiência dificílima de fotografar já que não é fácil achar um lugar para estabilizar a câmera e garantir uma boa foto em um ambiente escuro. (Esse é um dos únicos posts que uso uma foto roubada na internet). Portanto deixe a câmera ou o celular para trás e grave a experiência na memória. Te garanto, pode ser uma das mais inesquecíveis da sua vida!

Lembre-se de não usar nenhum produto como repelente de mosquitos, cremes ou loções na pele para preservar esse delicado ecossistema. E se possível planeje sua visita quando não houver lua, já que você verá o brilho ainda mais intenso.

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4 Comentários à Nadando com as estrelas

  1. Tati 06/03/2016 at 22:47 #

    Gostaria de saber se existe grupos que combinam viagens juntos. Gostaria de planejar Tailândia, mas sozinha a primeira vez é complicado e ainda sem inglês. Gostaria de dicas se possível…. obg

    • Gusti 12/06/2016 at 12:00 #

      Tati, tem fóruns de viagem pela internet, o próprio mochileiros acho que tem um espaço para isso, ou nos fóruns do couchsurfing…

      Aproveite, abraços!

  2. Eduardo 04/11/2015 at 10:38 #

    Fala Gustavo!! Cara, você é demais!!! Sua vida é um sonho que estou caminhando para realiza-lo. Quem sabe um dia até nos encontramos por aí. hahaha
    Comecei a me planejar tem alguns meses, mas estou extremamente ansioso pra meter o pé mundo a fora.
    Gostaria de saber como você faz pra ter o dinheiro das passagens, hospedagens, alimentação e tudo mais. Sei que a intenção é fazer tudo com o menor gasto possível, mas tem hora que tem que ter dinheiro (para as passagens de avião, por exemplo). Como você consegue essa grana? Trabalha nos países por onde passa? Como funciona isso? Acho que essa é a minha maior dúvida.

    Cheguei agora aqui no vagamundagem, mas já sou teu fã, brother!
    Grande abraço.

    • Gusti 12/06/2016 at 12:04 #

      Fala Eduardo!

      Eu comecei conseguindo um visto de trabalho nos EUA, fiz contatos e bicos por onde passei e hoje a renda vem quase inteiramente da internet. Há muitas opções mas acho que uma boa é pesquisar coisas que você possa fazer online, para que tenha liberdade de ir para onde quiser… Por exemplo um bom site para freelancers online é elance… Mas esse assunto é complexo, to devendo um super post sobre isso! Fique ligado! Abraços!

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