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Passando pelo Suriname entre duas asas e uma hélice. E Guiana Francesa.

 
Você deixaria de conhecer algum país por dizerem ser perigoso e violento? O que a gente mais escuta sobre países como México, Colômbia e Venezuela? É  muito triste ver pessoas que deixam de conhecer uma cultura diferente e suas pessoas com medo do que pode acontecer pelo o que foi visto na tv. No Brasil mesmo, deixamos de receber muitos turistas porque o que aparece na mídia lá fora nem sempre são as sete maravilhas. Eu me surpreendi quando visitei Bogotá, na Colômbia e várias cidades mexicanas. Sempre me senti muito seguro nas viagens por pior reputação que o lugar tenha.  Dos mais de 50 países que viajei, sabe qual foi o único onde fui ser assaltado? Brasil! Quando visitava as praias do Espírito Santo com um grupo de amigos da faculdade. Os “vilões” que a gente sempre vê nas mídias, estragando a imagem de um país e de uma cultura inteira, sejam ladrões, traficantes, assaltantes, são sempre a minoria, mas infelizmente eles sempre levam o destaque. Ligar a televisão para mim as vezes parece ver um filme de terror, é tanta coisa ruim sendo veiculada que a gente fica com medo até de sair de casa. Estamos de todos os lados sendo bombardeados pela cultura do medo. Na aviação, por exemplo, o que a gente mais ouve falar? Que um avião caiu, explodiu, o piloto passou mal. Apesar de tantos acidentes as estatísticas comprovam: O avião é o segundo meio de transporte mais seguro do mundo! Só perde para o elevador. Quantas pessoas lembram de ter visto nos jornais que o Brasil bateu recorde  de velocidade mundial com um avião pequeno desenvolvido na UFMG?
Com tanta informação ruim nos refugiamos em casa e perdemos um mundo inteiro passando lá fora. Mesmo que não tenhamos a oportunidade de viajar a gente perde muito quando deixamos de ir numa praça da cidade ou um parque, conversar com estranhos. Isso é também uma auto-crítica: Para voar da Guiana para a Guiana Francesa, evitei o Suriname que está no meio porque ouvi algumas coisas ruins. Minha insegurança era mais pelo avião e pela segurança do aeroporto como outros pilotos me alertaram. Mas será que esse alerta não tinha a ver apenas com o “distúrbio de Albina” que aconteceu por lá uns 3 anos atrás? Foi um evento isolado em que segundo a imprensa mais de 80 brasileiros foram atacados (brutalmente, como a mídia gosta de usar). A verdade é que eu perdi uma oportunidade de conhecer o único país a falar holandês na América do Sul. 
Como não tínhamos visto para a Guiana Francesa (fiz de tudo para conseguir), o dia seria muito longo e teríamos que estar preparados para chegar no Brasil naquele dia mesmo. Por isso decolamos um pouco depois do nascer do sol de Georgetown. Foram quase quatro horas e meia de voo, boa parte sobre  a selva amazônica surinamense, após uma noite muito mal dormida. Quando chegamos em Cayenne, capital da Guiana Francesa, descobrimos que a tripulação não precisava de visto. Como americanos também não precisam, nosso único problema era com o Rafael que com a ajuda de um funcionário do aeroporto que falava inglês nos acompanhou e foi nosso intérprete para a polícia de imigração (que só falava francês) e disse que o Rafael era o co-piloto. Com isso estávamos dentro de território francês e poderíamos descansar e dar uma volta por Cayenne antes de seguir viagem para o Brasil no dia seguinte. A tarde, todo o comércio estava fechado num dia de semana e a cidade parecia morta. A impressão que tivemos era que ninguém trabalhava naquele lugar. As 18 horas porém, o comércio reabriu e pudemos ver Cayenne com um pouquinho mais de movimento. Não vimos muito mas foi com nossos próprios olhos, fora de quatro paredes ou confinados num avião.
 
Aproximação para o aeroporto de Cayenne
Quase que o Rafael fica preso “do lado de fora” do país!
A costa de Cayenne não é uma das mais bonitas. Mas a foto foi para mostrar os flamingos vermelhos. Viu?
Voando de janela aberta para espantar o sono.

Mais fotos aqui.

Um outro blog falando um pouco mais dos nossos vizinhos esquecidos: http://saiporai.com/2014/01/01/vizinhos-esquecidos/

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Um Comentário à Passando pelo Suriname entre duas asas e uma hélice. E Guiana Francesa.

  1. solange 13/07/2013 at 00:31 #

    QUE BOM QUE VOCÊ NUNCA SE DEIXOU LEVAR PELA CULTURA DO MEDO, COMO DISSE ATRÁS, TEM RAZÃO, SOMOS COMO ROBÔS NA MÍDIA, SEM CULTURA, SEM OBJETIVOS E SEM FOCOS, PARABÉNS PELA SUA EXCELÊNCIA EM CORAGEM E CARÁTER!!!!

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