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Quando me vi no meio de uma batalha armada na Tailândia – Songkran

Desde que saímos da China nossa viagem tem sido marcada por longas viagens de ônibus (aquela viagem de trem na China não foi nada comparado às 32 horas de ônibus entre Vietnã e Laos) e guerras.

Principalmente no Vietnã. Por mais que o país pareça estar em paz hoje em dia, se você quer conhecer sua história seja visitando museus, assistindo a filmes ou navegando na internet o que você mais descobre é que muito sangue foi derramado ao longo de sua história.

As notícias nos jornais locais - em tailandês.

As notícias nos jornais locais – em tailandês.

O aparente pacato país vizinho Laos não é muito diferente. Imagine um país ser atingido por uma carga de um avião bombardeiro, B-52, a cada 8 minutos por quase 10 anos. Esse é o Laos entre 1964 e 1973, o que o faz o país mais bombardeado do mundo (per capita) segundo o jornal The Guardian. Nas ruas de Luan Prapang, uma cidade na confluência de dois rios importantes da Ásia, você ainda vê artes feitas com material bélico à venda em sua feira de artesanato local. Mas apesar de sua atual tranquilidade aparente deixamos essa cidade rumo à Tailândia com medo de sermos atingidos por uma das afrontas organizadas pela população. Você via gente armada em toda esquina. No trajeto entre a nossa pousada e a estação de ônibus nos escondemos na carroceira para não sermos atingidos e vimos os disparos passando bem perto por várias vezes.

Para quem acha que o mundo está em paz nos dias de hoje basta dar uma olhada nos noticiários sobre os protestos de Bangkok nos últimos meses e como se não bastasse, nossa chegada em Chiang Mai, uma cidade ao norte da Tailândia, foi marcada por várias armas apontadas na nossa direção com a intenção deliberada de nos atingirem. Éramos 11 turistas que assim que chegamos na rodoviária procuramos uma camionete com uma boa isolação em sua carroceira para nos levarmos com segurança ao centro da cidade. Enfurnados naquele pequeno espaço fechado, o cheiro de suor e adrenalina de tanta gente que passou as 24 horas passadas em um ônibus atravessando as montanhas esburacas do Laos parecia ser irrelevante diante da possibilidade se sermos realmente atingidos. Cada um de nós estava encolhido segurando suas malas e mochilas com os olhares amedrontados. De algumas brechas na carroceira eu podia ver que de novo os grupos armados estavam por todas as partes. As vezes eles passavam em comboios e nas carroceiras das camionetas várias pessoas segurando em armas e apontando e atingindo qualquer pessoa que vissem na rua, sem distinção de raça, grupo ou nacionalidade. E no meio daquelas pessoas algumas crianças, acredite se quiser, com suas armas e rindo de suas vítimas. Os idosos também entram no confronto e eles não parecem ter piedade de ninguém. Os atiradores são de todas as classes, gêneros e faixas etárias. Vários tiros atravessaram a camionete que nos levava e alguns chegaram atingir alguns de nós de raspão.

Mas quando chegamos próximo ao centro da cidade fomos forçados a descer da camionete e seguir caminhando em meio aquela guerra já que várias barricadas impediam o fluxo do trânsito e nenhum carro conseguia passar por aquele congestionamento. Com nossas mochilas tentávamos nos proteger, mas logo nos dispersamos e na correria só posso garantir que eu, o Rafael e o William estamos bem. Fomos atingidos algumas vezes e fora alguns estilhaços em nossos olhos e ouvidos podemos dizer que tudo está ok. Tem 3 dias que essa batalha continua por aqui na cidade e ontem quando nos arriscamos pela rua me senti um jornalista de guerra e acabei gravando algumas imagens mesmo com o risco de perder a câmera. Confira:

As aflições das longas viagens de ônibus nos últimos dias, o cansaço, a correria em Laos, as comidas mais exóticas como churrasco de rato, a saudade prematura de ter que deixar a Ásia em algumas semanas. Nada. Nada me preparou para viver o que vivi nesses dias. Acabei ganhando uma pistola para participar da batalha. A sensação era de liberdade, felicidade, diversão, alegria plena.  Várias nações juntas pulando, cantando, brincando, comemorando o Songkran, um festival tailandês que marca o ano novo do calendário tradicional de várias nações da Ásia, da forma mais divertida possível. E é cada um com sua pistola ou balde de água tentando atingir o máximo número de gente. Uma verdadeira batalha. Quanto mais molhado melhor, mais limpo você estará para entrar no novo ano. Você se limpa e se renova para uma nova temporada e parte do ritual tradicional envolve a limpeza das imagens do Buda, visitas e rituais em templo budistas.

Para quem gosta de festivais tradicionais, o Songkran é um daqueles que têm que estar na sua lista (de balde) de coisas a fazer, assim como estava na minha. Acabei sacrificando muitos lugares no Vietnã e no Laos para estar aqui em Chiang Mai nessa data (13-15 Abril) e te garanto que valeu muito à pena. De certa forma, esse festival é minha prova pessoal de que o mundo está se tornando mais pacífico e reforça minha esperança de que as nações cada vez mais dêem preferência às armas de paz e água ao invés das de fogo.

E você? Qual o festival que esteve presente que deixou boas marcas na sua memória? Ou talvez tenha um que você queira muito ir um dia? Eu quero colocar mais festivais como esse na minha lista de balde e agradeço sua sugestão!

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14 Comentários à Quando me vi no meio de uma batalha armada na Tailândia – Songkran

  1. Erlene Martins 21/04/2014 at 10:40 #

    Começei a ler e fui ficando quase sem respirar.Voltei a ler do inicio pra ver se era o que eu tava entendendo mesmo ai qdo chega no fim dei muita risada de nervoso e alivio.Menino sapeca vc.Bjo

    • Gusti 21/04/2014 at 10:51 #

      :P:P:P:P
      Beijos Erlene!

  2. Wallace 19/04/2014 at 22:47 #

    Então eu também caí nessa. Guerra de água? Hahahaha Quem poderia supor? Imaginei, claro, o pior. Vide histórias como Angola e mais recentemente a Síria. Vai que?

    Enfim, achei muito legal esse festival. Eu gostaria de ir no Holi , Índia. Aquele monte de cor e tal. Participei de uma corrida que é inspirada no Holi, e o interessante é ver como as pessoas se divertem com coisas simples. Resgatar o espírito de criança que ficou no passado e apenas curtir aquele momento sem pensar em mais nada. Vc pegava um punhado de tinta (em pó) e jogava pra cima ou em alguém. Tinha gente que rolava no chão apenas no intuito de se sujar daquela tinta (quase que se empanando). No fim você terminava com o pó rosa e azul se misturando com seu suor e virando roxo, o azul e amarelo virava verde e por aí vai, bem legal.

    Tem também a Tomatina na Espanha, e um que o povo se joga no barro ou coisa assim. Acabei achando esse link aqui pra ver quantos outros mais existem: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/para-curtir/divers%C3%A3o-gratuita-conhe%C3%A7a-10-festivais-rua-no-m%C3%ADnimo-165758185.html

    Interessante não é? Acho que vale mudar a data da viagem pra pegar um festival desses. =P

    • Gusti 21/04/2014 at 10:50 #

      Gostei dessa matéria Wallace! Valeu por compartilhar, pus tb na minha bucket list. Já vi que entre Julho e Setembro o lugar onde tenho que estar é Espanha, lá tem um bocado de festivais interessantes!
      Com certeza valer a pena sim, aliás como eu disse, tive que apertar o passo da minha aqui para poder chegar na Tailândia a tempo!
      Um abraço!

  3. Carol 19/04/2014 at 16:35 #

    Gustavo que susto! HAHAHAHA adorando seus posts, cada dia melhores!
    Se cuida!

    • Gusti 21/04/2014 at 10:41 #

      Oi Carol! Que bom, fico feliz 🙂 Beijos!

  4. Sandra cavblacanti 17/04/2014 at 18:15 #

    Que aventura heim?
    O melhor festival que participei foi na Igreja da Lagoinha, na semana da apresentação dos artistas recem convertidos ao cristianismo (palavra da bíblia) isto é, manual da vida que DEUS deixou manuscritos em pergaminhos.Pois assisti vários testemunhos e milagres que presenciei.Inclusive a cura do Igor.
    Beijão.

    • Gusti 18/04/2014 at 09:41 #

      Bacana tia!
      Beijos

  5. Lucas 17/04/2014 at 15:09 #

    Agora você me pegou velho! Você não devia estar satisfeito da quantidade de vitimas do seu 1 de Abril, e queria também se vingar daqueles que não caíram nela! Conseguiu, parabéns! Mas que bom que vocês estão se divertindo, principalmente depois de viagens longas e cansativas que vocês tiveram nesses últimos dias… foi uma diversão bem merecida! Mas esse festival me fez lembrar desse mesmo que o Gregório falou, o Holi, só não lembrava o nome… pena que já passou, senão você dava uma passada lá!

    Abraço!

    • Gusti 18/04/2014 at 09:37 #

      Nada Lucas, não tem enganação nenhuma nesse post. Nenhuma mentirazinha! 😛
      O holi já passou mas virão outros nos próximos anos e quero estar lá com certeza!
      Abraço!

  6. Inaja 16/04/2014 at 23:18 #

    Muito bom né? Também fui atacada por criancinhas pelos lados de Krabi

    • Gusti 17/04/2014 at 02:14 #

      Oi Inaja! Que bom te ver por aqui! Espero que tenha aproveitado pelos lados de lá também! Bom saber que esta viva e salva! 😛 Beijos

  7. Gregório Ribeiro 16/04/2014 at 21:18 #

    Caraca, você me pegou nessa !! Até eu ver o vídeo pensei que só tinha sobrado você e teus brothers já estavam no caixão!!

    Irado esse festival aí hein, geral se divertindo sem parar e eu achando que tu tava tomando bala. Me lembrou o Holi Festival na Índia, que marca o final do inverno e começo da primavera. As pessoas se armam com tintas e água e brincam sem parar também, tenho certeza que você se amarraria.

    Abraços.

    • Gusti 17/04/2014 at 02:19 #

      Mas Gregório, tudo é verdade, eu só esqueci de dizer no começo que as armas eram de água… As vezes vinham com água hiper gelada (nas camionetes, eles levam um conteiner com água e barras de gelo para atacar no pessoal) e não era nada fácil! HAha
      Vou colocar esse Holi na minha lista! Parece divertido também!

      Abraços!

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