Onde estou agora: Nova Zelândia

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Um favorzinho para o colega do albergue.

“Cara, depois que você me falou que era piloto fiquei pensando em te pedir uma coisa, mas tudo bem se você não puder e disser que não… Será que você não poderia me levar voando até Bahamas?” Foi o que me perguntou Marcus, o canadense meio que tímido quando eu acordava na segunda-feira. Eu pensei comigo mesmo. Será? Meu instrutor de voo não podia me dar instrução na segunda nem na terça. A previsão do tempo para as ilhas estava perfeito. Por que não? Várias horas de planejamento depois decolávamos para meu primeiro voo em “mar aberto” com a companhia de outro hóspede da Nova Zelândia que topou na mesma hora em dividir os custos. Mas antes tivemos que voar para o aeroporto de Fort Lauderdale para comprar as obrigatórias jaquetas salva-vidas. (Para o caso de um pouso de emergência (impacto!) na água). No curtíssimo voo até a loja, voando ao longo da costa, acabamos vendo um submarino. 
Decolando de Fort Lauderdale, os primeiros minutos de voo foram bem intensos com a tarefa de desviar de tráfego e comunicar com os controladores no ocupadíssimo espaço aéreo de Miami. Mas logo depois, no meio do caminho até a ilha de Bimini, tudo ficou muito tranquilo. Até demais. Cheguei até desconfiar que o rádio tinha parado de funcionar. O som do motor se torna a mais linda melodia. É como aquela música que a gente gosta muito e põe para ficar repetindo. No meio do mar eu queria fazer questão que estava tudo funcionando. E estava!  O aeroporto internacional de Bimini não tem torre de controle e a pista, um tanto rudimentar, não tinha pista de táxi, como em outros minúsculos aeroportos privados que pousei nos EUA. Você freia, gira 180 graus e taxia na mesma pista em que pousa, torcendo para que nenhum doidinho num avião sem rádio esteja pousando atrás de você. Mas aquele aeroporto não precisa mais do que aquilo, o visual compensa a falta de qualquer coisa. Até as instalações modestas da imigração ajudam a compor um cenário que te faz muito querer estar ali. 
Reparem um corte na mata ao fundo: É o aeroporto internacional.
A cor da água ao redor da ilha é impressionante. Você olha, fecha os olhos, olha de novo, se belisca para acreditar que não tem truque ou photoshop. 
O povo “biminiano” me pareceu muito simpático e apesar de falarem inglês, eu entendia só metade do que falavam. Já estava começando a me sentir mal por não entender muito quando o canadense perguntou: “Vocês estão falando em inglês?” Sim estavam, mas o sotaque era carregado mesmo, com uma pitada de dialeto da ilha. Daquela única ilha. Bahamas é compostas por mais de setecentas! Cada uma com suas peculiaridades. Pelo menos conheci a ilha onde supostamente Ponce de Leon suspeitou que estaria localizada a fonte da juventude. Claro que eu não iria deixar de lavar o rosto na suposta fonte, né? E ao norte da ilha, é onde se diz que existia a misteriosa Atlântida.
Ta vendo a cor da água?
Mais de 30 minutos depois do pouso quando caminhávamos pela ilha, dei um tapa na testa, lembrando que eu tinha esquecido de fechar o plano de voo com o Flight Service de Miami, o que significava que em breve equipes de salvamento e resgaste estaria procurando por mim e pelo o avião. Levamos 30 minutos buscando telefone e internet para conseguir telefonar para os Estados Unidos e fechar o plano de voo. Depois do alívio de conseguir falar com os controladores, fomos curtir a praia. Parecia o perfeito cenário do paraíso: Areia branca, coqueirais, praia deserta, cor do mar inacreditável. Até que resolvemos usar a máscara de mergulho embaixo da água e vimos um punhado de água-vivas. Oh-ho… Simon, o neo-zelandês já tinha uma cicatriz no braço deixado por um daqueles animais e decidimos que não queríamos outra cicatriz e saímos da água de fininho… Era quase perfeito. Caminhando de volta para o aeroporto, vimos as crianças saindo da escola. Meninas de saia e meninos de gravata num uniforme formal azul e branco. Voltando para casa alguns pegam o táxi-barco sobre aquele mar que tantas pessoas sonham em ver na vida. Mas suas expressões mostram que estão apenas pegando mais um entediante escolar diário.
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O voo de volta para a Flórida, também foi bem tranquilo, com exceção de novo, do ainda mais movimentado espaço aéreo em horário de pico. Pousei no aeroporto internacional para passar pela alfândega, e após uma breve espera pela inspeção de jatinhos particulares fomos rapidamente interrogados e liberados na terra do Tio Sam. Um brasileiro, um canadense, um neo-zelandês chegando de avião particular das Bahamas. “Onde estão hospedados mesmo?” 
– Sim, num albergue (hostel). Por que não??

8 Comentários à Um favorzinho para o colega do albergue.

  1. Dallas Brant 03/12/2012 at 02:14 #

    Meu, esse lugar é indescritível. Ainda vou mergulhar por lá! Abraços, Dale

    • Gustavo Junqueira 04/12/2012 at 02:27 #

      Vale a muito a pena Dallas! A copa airlines voa ate bahamas, nassau, passando por Panama, vez ou outra tem promoções, aproveita!!

  2. Vanessa 17/02/2012 at 20:44 #

    Menino…. a cor dessa água não pode ser verdade!!!
    EU QUEROOO!!!!

  3. Flavio Siqueira 04/02/2012 at 06:29 #

    Alo meu amigo ! Qualquer dia a gente combina um voo juntos. Abração pra voce !

    • Gustavo Junqueira 09/02/2012 at 07:32 #

      Fala Flávio! Adoraria voar com você um dia! É uma honra receber seu comentário por aqui! Um grande abraço!

  4. Anonymous 27/01/2012 at 15:44 #

    Muito bom Gustavo.
    Pelo menos as aventuras aéreas retornaram enquanto se desenrola a burocracia.
    Grande abraço.
    Cláudio

    • Gustavo Junqueira 09/02/2012 at 07:36 #

      Olá Cláudio, As aventuras aéreas na verdade não pararam. Estive em treinamento de voo, mas preferi não comentar aqui enquanto não saísse uma autorização da FAA-TSA (que saiu na última sexta-feira finalmente). Abraço!

  5. solange 26/01/2012 at 05:03 #

    QUE LUGAR MáGICO MESMO!!!!!!!! SUA VIAGEM REALMENTE ESTÁ SENDO ESPLENDOROSA, PARBÉMS!!!!!!

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