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Atravessando os EUA de carro. Parte 1

SETE MIL quilômetros percorridos em OITENTA horas de viagem, cruzando ONZE estados americanos. Quanto tempo é tempo demais para ficar do lado do seu irmão de sangue, lado a lado, dentro de 1 ou 2 metros quadrados?
Meu irmão William, por ser sete anos mais velho do que eu nunca foi na verdade minha melhor companhia de infância. O tempo porém passa e quando o irmão mais novo ganha a etiqueta de adulto (eu) e a suposta maturação, as diferenças passam a não ser tão relevantes. Em teoria.
Parece tempo demais? Acredite, a única parte dessa equação de números que não me agradou foi a quantidade de dias: OITO. Uma jornada desse tamanho, onde percorremos uma distância maior do que o raio da terra (6700km) merecia um intervalo de tempo maior.

Nosso trajeto aproximado

Como surgiu a ideia:

Ano passado eu tinha comprado na Flórida, um Jeep Liberty com quase 10 anos de uso, mas com aparência de novo, com o conforto padrão americano: Assento de couro, câmbio automático, ar, etc, por 5 mil dólares e eu descobri que essa carro valia uns mil dólares a mais no estado de Washington do que na Flórida e propus ao meu irmão que o levássemos juntos, durante suas férias, de Miami à Seattle.

O segredo do planejamento de rota:

Por já ter feito o sentido inverso, porém de moto e sozinho, no ano anterior eu me sentia um expert das estradas americanas por saber todos os segredos de uma roadtrip nas highways americanas. E o maior deles se chama: googlemaps ou pra quem não tem um smartphone com internet 3/4G serve também o bom e velho GPS (ou ainda, para quem nunca ouviu falar, existem também uns mapas feitos de papel). (Me perdoe o excesso de palavra importada!).

O planejamento de rota não tem muito segredo na verdade. Eu ponho os lugares que tenho vontade de visitar no googlemaps entre minha origem e meu destino e calculo se vale a pena o desvio. Para quem tem o luxo do tempo, meu conselho é evitar as highways principalmente as Interestaduais, elas são extremamente bem cuidadas e por isso, muitas vezes um tanto entediante (ainda assim da pra curtir o visual, como você vai ver). Procure pelas estradas menores e auxiliares como a famosa Rota 66 que cruzamos algumas vezes durante nosso percurso.

Uma coisa inútil nos dias de hoje, mas curiosa de saber é a organização dos números das estradas interestaduais. Elas vão quase sempre de norte a sul e de leste a oeste e nunca na diagonal. As de número ímpar vão sempre na direção norte-sul, com o número crescendo no sentido oeste à leste. Por exemplo, a I-5 te leva do México ao Canadá seguindo a costa do Pacífico e a I-95 liga a Florida ao Canadá pelo lado do Atlântico. Número par indica estradas na direção leste-oeste, como a I-90 que vai de Seattle à Boston.

Fora o carro e a gasolina isso é tudo que você precisa. Claro, uma boa revisão no carro ajuda: Enchi os pneus e achando que estava pronto para a viagem, eu giro a chave do carro e… O carro não pega. Meu irmão logo percebe que minha revisão não foi uma das melhores já que eu não tinha trocado a bateria vencida e oxidada.

1ª Parte:

De bateria nova, partimos de Miami pela tarde com direção à Orlando, onde jantamos com a “prima” Bárbara de Goiânia que visitava com as amigas os parque da Disney, e também o primo Juvenal, de João pessoa. Foi um encontro raro de gente de vários cantos do Brasil (até do Pará!) em uma parada supostamente rápida para abastecimento.
De bucho cheio seguimos estrada por mais 6 horas até chegar em Pensacola às 4 da manhã. Uma cidade de qual estado mesmo? Flórida. Ainda na Flórida, mesmo depois de mais de 10 horas de direção! Nada mal para o primeiro dia.
Mas onde se hospedar de madrugada? Pelo couchsurfing eu tinha conseguido um lugar para a gente ficar de graça, mas como já era tarde demais, tivemos que passar a oportunidade e ficamos em um motel. Motel com meu irmão? Motel nos EUA não tem o significado que temos no Brasil. Por aqui é um simples hotel bem conveniente para uma noite de descanso. São relativamente baratos e muitos têm até piscina. Existe uma rede, Motel 6, (6 porque acostumava ser U$6 por noite quando foi criado, hoje o preço médio está em torno de U$50) que está em todos os lugares. Os quartos são tão padronizados, que não importa onde você esteja, no sul, no norte, no deserto, na neve, você vai se sentir no mesmo lugar. 
Na manhã seguinte, mandei uma mensagem para o nosso suposto anfitrião (pelo couchsurfing) em Pensacola, perguntando que praia ele recomendaria para a gente dar um pulo antes de seguir viagem. E ele, Chris, me responde, numa plena terça-feira pela manhã, que estava na praia de Pensacola, trabalhando de salva-vidas numa torre perto do pier. Quando cheguei lá ele parecia estar trabalhando no paraíso. Numa praia de areia branca, água clara e morna do Golfo do México. Como havia outro salva-vidas na torre, ele desceu para bater papo com a gente e até nadamos juntos. Na água perdidos na conversa, quando o assunto chegou nos tubarões que ele via ocasionalmente naquela praia do golfo do México decidimos que era hora de sair da água e seguir viagem.
 

Chris, nosso novo amigo do couchsurfing e meu irmão, William.

 As estradas federais americanas sempre impressionam pelo padrão de conservação e segurança, mas foi decepcionante avistar durante esses 7000km, 7 buracos na estrada. Um buraco para cada mil quilômetros rodados. Se você não entendeu, isso foi uma ironia, ok? Mas é verdade!
As pontes e estradas suspensas em que passamos ao cruzar os lagos, rios e pântanos dos estados de Mississippi, Alabama e Louisiana realmente nos surpreenderam. Sem saber  passamos por quatro das maiores pontes dos EUA, e ainda assim não passamos na maior de todas, a ponte do lago Pontchartrain que estava muito perto da nossa rota. Essa ponte tem 38.4 km mas não deixamos de nos impressionar ao passar pela terceira maior de 36.7 Km, uma ponte sobre um pântano (Manchac Swamp Bridge). Para efeito de comparação, a maior ponte do Brasil, a Rio-Niterói, tem “apenas” 13.2 km. Agora quer saber qual a maior ponte do mundo? Tem inimagináveis 164.8km de extensão. Claro, na China.
Depois dessas curiosas travessias eu já me preparava para o tédio de atravessar as planícies do Texas mais uma vez, quando me surpreendi com meu irmão se entretendo enquanto atravessávamos cidadezinhas com cheiro de abandono daquele estado. Entre essas cidades fantasmas o tempo parecia querer assustar na estrada. Não vimos nenhum tornado ou coisa parecida, mas as nuvens as vezes pareciam formar o cenário para tal, e por alguns segundos o céu parecia despencar em torrenciais de água. Mas a tempestade logo ficava para trás e o que víamos era céu azul na frente e um arco-íris no retrovisor. Já eram umas 2 da manhã quando chegamos em Dallas e pudemos contemplar as luzes da civilização vertical sem ter que nos agarrar em um engarrafamento. 
Ainda naquela noite eu já sentia que seria inevitável sair daquela cidade sem visitar uma das atrações mais caras desse país… Confira o próximo post.
 
Algumas fotos da estrada:
 
Loja de armas em uma cidadela no meio do nada (texas)

Chegando em Dallas, TX de Madrugada

Parte 2 da viagem aqui!

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8 Comentários à Atravessando os EUA de carro. Parte 1

  1. Dagoberto 10/06/2016 at 09:17 #

    Olá Gustavo!

    Seu blog é sensacional! Estava aqui rindo com minha esposa pois faremos praticamente o mesmo trajeto que você. Já está tudo programado.
    Gostaria de fazer umas perguntas, pois nunca fizemos uma Roadtrip nos EUA e queremos evitar surpresas.
    – Vocês dirigiam quantas horas por dia? Pois só temos 10 dias e estou pensando em dirigir 8 a 9 horas por dia (dois motoristas), pois quero passar um dia inteiro e mais uma manhã no Grand Canyon, reservamos um hotel dentro do Grand Canyon Village.
    – No meu roteiro coloquei a subida do Sandia Peak Tramway às 16:30 e descendo quando tiver anoitecido. Você chegou a estar lá em cima à noite? Vale a pena?
    Se tiver mais alguma dica para dar….rsrs.
    Faremos Orlando-> New Orleans (pernoite) -> Dallas(passagem) -> Wichita Falls (pernoite) -> Albuquerque (Sandia Peak e pernoite) -> Grand Canyon, depois volto para Orlando.

    • Gusti 12/06/2016 at 10:26 #

      Oi Dagoberto!

      Que bacana sua viagem! Dirigimos por volta de 7 a 10 horas por dia! Não fui ao Sandia de noite mas se o tempo estiver bom o por do sol de lá vale muito a pena! É uma pena que vc tenha que voltar para Orlando, porque aquela parte no sul dos EUA, eu diria da Florida ao Texas… é bem plano e pode ser entediante. Tem certeza que já decidiu começar de Orlando? Vai alugar carro? (verifique a possibilidade de retornar em outro local…) Eu aconselharia começar de Las Vegas ou algum lugar no Oeste dos EUA para evitar muito chão e pouca atração especialmente por não ter muito tempo disponível!

      Aproveite!!

      Gusti

  2. solange 28/01/2014 at 13:24 #

    É gratificante ler este blog, dá vontade de ler…ler…ler….. e viajar.

  3. Geraldo 27/01/2014 at 17:26 #

    Bastante interessante o seu post Gustavo e parabéns! Estive recentemente nos Estados Unidos fazendo um intercâmbio em Miami e foi sensacional e inesquecível. No tempo livre do meu curso de inglês em Miami, eu aproveite bastante para conhecer a cidade e viajei às outras cidades como Nova York, Boston e Los Angeles e as estradas são perfeitas. Vale a pena viajar aos Estados Unidos e viajar de carro às outras cidades pois as belas paisagens e as próprias cidades são fascínios indescritíveis. Eu estudei em uma escola de inglês em Miami no centro da cidade chamada Sprachcaffe e fiz ótimas amizades com pessoas de todo o mundo. Optei por fazer o curso associado à hospedagem, alimentação e atividades de lazer e foi bem mais barato e tranquilo, eu somente me concentrei na aprendizagem do idioma e nas minhas viagens pelos Estados Unidos. Fica aqui também a dica da escola onde estudei http://www.sprachcaffe.com/portuguese/study_abroad/language_schools/miami/main.htm

  4. solange 22/08/2013 at 23:38 #

    NÃO TENHO PALAVRAS PARA DESCREVER TANTAS PRECIOSIDADES!!!

  5. twilightdancer 21/08/2013 at 03:47 #

    Gustavo!
    I love following you and reading your blog. I just wanted to tell you. Remember if you are in LA you have a place to stay.

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